El Niño: Previsão indica chuvas abaixo da média e aumento no risco de queimadas no Maranhão
Relatório do Painel El Niño 2026/2027 alerta para chuva abaixo da média, avanço da estiagem e aceleração do risco de queimadas no Maranhão no trimestre de setembro a novembro.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), divulga a publicação do Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027.
O boletim apresenta informações atualizadas sobre o monitoramento, as previsões e os possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño no Brasil. A publicação mensal é resultado do trabalho conjunto das instituições participantes e tem como objetivo subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos.
Segundo as previsões mais recentes do CPC/NOAA, agência meteorológica norte-americana, divulgadas no início de agosto, há mais de 90% de probabilidade de que o trimestre setembro-outubro-novembro (SON) registre um evento de El Niño muito forte. Os modelos também indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027. Nesse cenário, as anomalias de temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial poderão superar 2,0 °C entre a primavera e o verão de 2026.
A previsão climática para o trimestre setembro-outubro-novembro de 2026 indica, de forma geral, chuvas acima da média em áreas da Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do País. Na Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul, e em parte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, são esperados volumes de chuva acima da média histórica. Já nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de um trimestre mais seco. Partes do Brasil Central e do Sudeste, especialmente Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, também apresentam maior probabilidade de chuvas abaixo da média. As temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o território nacional. No entanto, a ocorrência de massas de ar frio pode provocar quedas bruscas de temperatura, especialmente durante o mês de setembro.
Impactos no Maranhão: Chuvas, Estiagem e Agricultura
O estado do Maranhão deve registrar volumes de chuva abaixo da média climatológica e temperaturas acima do normal durante o trimestre de setembro, outubro e novembro de 2026. De acordo com o mapeamento climático do CENSIPAM, inserido no relatório, o Maranhão integra a faixa da Amazônia Legal que apresentará precipitações reduzidas e temperaturas elevadas no próximo trimestre.
Confira os principais pontos de atenção para o estado:
Agravamento da Estiagem: A análise do Incremento da Estiagem (Dt) por sub-bacias hidrográficas aponta a formação de um corredor de agravamento do déficit hídrico no setor norte e nordeste da Amazônia, que abrange trechos do Maranhão. Essa tendência indica uma aceleração na perda de umidade do solo.
Risco de Fogo e Queimadas: Devido ao atraso na consolidação da estação chuvosa e ao estresse hídrico na vegetação, o relatório aponta um aumento na atividade de fogo na Amazônia Legal a partir de setembro. O Maranhão é citado ao lado de Tocantins, Pará e Mato Grosso como parte do "arco leste", região projetada para concentrar maior severidade na ocorrência de queimadas durante a primavera.
Setor Agrícola: Na Região Nordeste e na transição com a região MATOPIBA (que inclui o Maranhão), o cenário de tempo quente e seco favorece as etapas finais de colheita de culturas como o algodão. Por outro lado, a combinação de temperaturas altas e escassez de precipitações pode dificultar o início do plantio e a implantação da safra agrícola 2026/2027.
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