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Fiocruz vai produzir 60 milhões de testes de antígeno para o SUS

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Fiocruz vai produzir 60 milhões de testes de antígeno para o SUS
Foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz.

A Fiocruz assumirá mais um desafio no enfrentamento à Covid-19, com a produção e o fornecimento de testes de antígeno ao Ministério da Saúde (MS). A proposta foi apresentada em um evento realizado na Fundação nesta terça-feira (3/8), com a presença da secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do MS, Rosana de Melo, e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ao todo, a Fiocruz poderá fornecer ao Ministério da Saúde (MS) cerca de 60 milhões de testes até o final de 2021, de acordo com a demanda da pasta.

Além da produção, a Fiocruz ficará responsável ainda pelo treinamento das equipes e assistência técnica e científica nas localidades a serem definidas pelo Ministério da Saúde. A iniciativa, que deverá contar com um investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão, permitirá um diagnóstico mais rápido da infecção e faz parte da ampliação da estratégia de testagem no país.

“A Fiocruz vem promovendo uma série de atividades relativas ao enfrentamento da emergência de saúde pública em decorrência da Covid-19, com interação permanente e atenção às demandas colocadas pelo Ministério da Saúde para a instituição, considerando o cenário epidemiológico e os novos conhecimentos que vêm sendo produzidos a respeito da doença. Nesse sentido, a Fiocruz põe novamente sua capacidade tecnológica e de produção à disposição da saúde pública brasileira, com a produção de novos testes para o diagnóstico”, destacou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

Para o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, uma ampla estratégia de testagem tem um papel fundamental no monitoramento das epidemias e de suas tendências, sendo uma ferramenta para conter, desacelerar e reduzir a propagação do vírus. “Os testes de antígeno, combinados à estratégia dos testes moleculares, poderão ampliar a testagem no país, permitindo identificar rapidamente os infectados e implantar uma estratégia de rastreamento dos contatos do indivíduo que podem estar também infectados. Com isso, as autoridades de saúde podem fazer uma intervenção mais efetiva e direcionada, detectando e isolando os infectados e interrompendo a cadeia de transmissão do vírus”, explicou Krieger.

Durante o evento, houve uma apresentação técnica, feita por pesquisadores da Fiocruz, à comitiva do MS. O objetivo foi mostrar a logística integrada na produção e distribuição dos testes, uma operação que reúne a Fundação, o MS, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A utilização de testes de antígeno em larga escala ampliará a capacidade de minimizar a transmissão da Covid-19, característica que foi elogiada pela secretária Rosana de Melo. “É um grande trunfo que teremos no enfrentamento da pandemia e que sem dúvida fará a diferença em nossa estratégia diante do novo coronavírus”, afirmou a secretária.

A Fundação continuará a produzir os testes moleculares (RT-PCR), considerados o padrão ouro para detecção do vírus. Após a entrega de 11,7 milhões de testes moleculares, recentemente foi firmado um novo acordo com o Ministério, para a produção de mais 13,7 milhões de testes RT-PCR, dos quais já foram entregues 3,3 milhões. Os representantes da secretaria e da Fiocruz ressaltaram a importância de se ampliar o número de produtos relacionados à testagem, a exemplo da incorporação do teste de antígeno, mas sempre considerando uma estratégia integrada que considere as vantagens e os objetivos de cada um deles. O RT-PCR, por exemplo, além de ser considerado o teste mais preciso para o diagnóstico da doença, também é o único capaz de sustentar uma ação de vigilância genômica, uma vez que o monitoramento das variantes depende do sequenciamento das amostras desse tipo de teste.

O evento também contou com a apresentação de experiências e produtos tecnológicos da Fiocruz com potencial para atender às necessidades do MS no enfrentamento à pandemia, como o modelo integrado de vigilância que vem sendo desenvolvido na favela da Maré, no Rio de Janeiro, como parte do projeto Conexão Saúde: De olho na Covid, o Campus Virtual da Fiocruz, uma plataforma educacional que integra ensino, tecnologia, informação e serviços educacionais, e que ser utilizada para capacitação de profissionais no enfrentamento à Covid-19, e o aplicativo Dados do Bem, que pode apoiar ações de testagem em massa e do qual a Fundação foi uma de suas criadoras.

Ao final da reunião, foi estabelecido um grupo de trabalho que vai discutir e oferecer propostas ao MS que busquem vencer os desafios tecnológicos e estratégicos para a ampliação dos projetos apresentados.

Antígeno e RT-PCR: entenda as diferenças

Tanto os testes de antígeno como os testes moleculares servem para detectar a presença do vírus Sars-CoV-2 durante a infecção, mas as metodologias de testagem seguem caminhos diferentes e têm sensibilidade e tempo de processamento também distintos. O RT-PCR busca encontrar material genético do vírus, chamado de RNA, e requer o envio a laboratórios especializados que possam processar a amostra e identificar o vírus. O processamento pode levar algumas horas, depende de equipamentos sofisticados e é considerado o padrão ouro na detecção do vírus.

Já o teste de antígeno busca por proteínas específicas na superfície do vírus que podem identificá-lo. A coleta é feita da mesma forma que o RT-PCR, com amostra de nasofaringe, mas seu processamento é muito mais rápido, já sendo possível obter um resultado em 15 minutos. Também não é necessária infraestrutura sofisticada e o processamento pode ser feito no próprio local da coleta, a partir da mistura de uma solução, responsável por liberar as proteínas virais e uma tira de papel especial que contém anticorpos que se ligarão a essas proteínas, em caso de resultado positivo. A sensibilidade é um pouco menor que a do RT-PCR, mas ainda é considerada alta, com potencial acima de 95%.

Fonte: Fiocruz.

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