CPI pode reconvocar ministro Queiroga e investigar fala sobre 'guerra química'

A CPI da Pandemia poderá reconvocar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ele prestou depoimento na semana passada, mas um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) sugere que o ministro volte a ser ouvido.
De acordo com o senador, o primeiro depoimento de Marcelo Queiroga “foi lacônico e contraditório em muitos aspectos”. “Um deles diz respeito à afirmação de que não há promoção do uso da hidroxocloriquina para tratamento da covid. Todavia, o ministro até o presente momento não revogou a portaria que prescreve o uso da medicação, mesmo sabendo-se que não possui eficácia para tal fim”, argumenta o parlamentar.
Humberto Costa quer investigar ainda por que o Ministério da Saúde editou a Portaria 885, de 2021. O texto prevê a abertura de tomada de contas especial contra estados e municípios que receberam dinheiro da União para o enfrentamento da pandemia de coronavírus. “A edição da portaria pode representar uma ação coordenada do Ministério da Saúde de ameaça aos entes subnacionais. A motivação do ato, portanto, não é legítima”, afirma.
Marcelo Queiroga é alvo de outros três requerimentos para falar à CPI da Pandemia — dois de convocação e um de convite. Esses pedidos, no entanto, foram apresentados antes do primeiro depoimento do ministro da Saúde.
Abin e “gabinete do ódio”
Um conjunto de requerimentos apresentados na segunda-feira (10) pretende investigar a declaração do presidente Jair Bolsonaro segundo a qual o coronavírus pode ter sido criado no contexto de uma “guerra química”. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) requer informações sobre o tema ao Ministério das Relações Exteriores e à Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
O vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), sugere a convocação do diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, para tratar de outro assunto: o eventual uso da agência para intimidar e interferir nos trabalhos da comissão. Segundo reportagem da revista Crusoé, o governo teria usado o serviço secreto “para levantar suspeitas” sobre governadores e prefeitos. Em outro pedido, Randolfe propõe o afastamento de Alexandre Ramagem do cargo, como “medida acautelatória”.
Entre os 27 requerimentos apresentados à CPI na segunda-feira, os parlamentares sugerem a convocação do chamado “gabinete do ódio”, um grupo de servidores que atua nas redes sociais da Presidência da República e é suspeito de promover uma campanha de desinformação durante a pandemia. Podem ser chamados a depor os assessores Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Gomes e Mateus Matos Diniz.
Outro requerimento pede que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello apresente resultado de exame para detecção do coronavírus. Convocado a depor em 5 de maio, Pazuello pediu o cancelamento da reunião porque teria entrado em contato com pessoas infectadas. No entanto, no dia seguinte, Pazuello encontrou-se com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni.
Fonte: Agência Senado.
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